Assistência
A alegria de se sentir em casa
Há quase uma década, a Apajad se tornou a extensão da residência de jovens e adultos com deficiência de Pelotas
Jô Folha -
Felicidade. Essa é a palavra mais dita pelos pais ao descrever a importância da Associação de Pais e Amigos de Jovens e Adultos com Deficiência (Apajad) na vida de seus filhos. Sentimento que é perceptível nos olhos de cada um. A instituição, que completa sete anos este mês, está em busca de voluntários e doações para dar início às oficinas na nova sede.
Fundada no dia 14 de setembro de 2014, a Apajad surgiu da necessidade em dar seguimento nas atividades realizadas com jovens e adultos que possuem algum tipo de deficiência. A funcionária pública aposentada Isa Bosembecker, 69, faz parte do grupo de cinco mães que deram o pontapé inicial na associação. Ela lembra que, até a criação da instituição, os filhos eram liberados pelas escolas e ficavam sem uma rotina de tarefas. "Eles viam os irmãos se arrumar para sair, terem atividades e eles só em casa, então achamos que teríamos condições de realizar algo. Aos poucos foi aumentando e se tornou uma segunda casa para nossos filhos", comenta Isa.
A mãe conta das evoluções da filha Vanessa Bosembecker, 34, que possui paralisia cerebral. Com o auxílio das escolas anteriores e da Apajad, ela passou a realizar atividades como tomar banho sozinha, andar de bicicleta, jogar basquete, ajudar nos afazeres domésticos, entre outras ações do cotidiano. "Ela [Vanessa] se tornou super independente e sem a Apajad não teria a vida que tem hoje, os amigos, tendo o que pensar, o que conversar. Só em casa ela não teria desenvolvido", finaliza a aposentada.
Já a história de Liria Corrales, 29, é um pouco diferente. A filha de Catiane Corrales, 46, chegou à associação depois que a escola em que ela frequentou dos cinco aos 27 anos encerrou as atividades em dezembro de 2019. A mãe da jovem que possui paralisia cerebral buscou a Apajad para dar continuidade no aprendizado já adquirido. No entanto, alguns meses depois iniciou a pandemia, que acabou dificultando a rotina de Liria. "Eles têm a necessidade deste convívio e sem isso ela fica agitada. Olha ali [aponta para a filha] está quietinha porque está feliz. Eu sei que ela estando tranquila é porque está bem e isso é uma das coisas que mais espero, que ela tenha sua rotina, saia de casa, fique com seus colegas e volte para a casa feliz. É a felicidade deles que importa", diz Catiane.
A luta por uma sede
Com o aumento no número de integrantes desde sua fundação, começaram as dificuldades e a associação precisava de um espaço maior e adequado para receber os jovens e adultos. Até fevereiro de 2019, quando foi possível locar um prédio para ser usado como sede, as atividades da Apajad eram realizadas em locais cedidos por alguns parceiros. Pontos como a Biblioteca Pública Pelotense e o campus Anglo da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) serviram como sede. Na UFPel, a associação foi contemplada pelo projeto de extensão "Escola de Inclusão", que através de cursos como gastronomia, turismo e terapia ocupacional realizaram oficinas.
"Quando se cria uma associação é sempre um sonho ter seu local próprio, ainda mais pela necessidade que se tinha. Alugamos esta casa, mas 20 dias depois começou a pandemia e eles não conseguiram nem conhecer a sede. Agora com esse espaço pretendemos retomar nossas atividades e pensamos nele como um local para que eles sejam felizes, resgatando o sorriso de cada um", comenta a diretora da Apajad, Silvana Pires.
O local que fica localizado na rua Álvaro Chaves, número 77, ainda está passando por adaptações. No entanto, já é possível receber o público. Cenário que só foi possível pela união dos pais que se dedicaram para reformar a estrutura.
Como colaborar
Atualmente existem 22 jovens e adultos com mais de 24 anos com as mais diversas síndromes que fazem da associação a segunda casa. A instituição é mantida por uma contribuição mensal feita pelos pais. Para manter a estrutura e os participantes bolsistas, também são feitas ações como a venda de almoços e brechós que, inclusive, tem sido a maior fonte de renda da Apajad. A expectativa da diretora Silvana é retomar com as oficinas até o mês de outubro. Porém, a sede ainda necessita de mobiliário e itens adequados para a colocar em atividade espaços como a sala de reforço que tem como objetivo manter os aprendizados já adquiridos e a sala multifuncional para jogos, leitura entre outras ações. A intenção é também criar uma sala terapêutica que irá oferecer serviços como fonoaudiologia e terapia ocupacional.
A contribuição para a Apajad também pode ser feita através de trabalhos voluntários. Estudantes ou profissionais das áreas da saúde, educacionais, entre outras, são bem-vindos. Também podem ser doados materiais pedagógicos. A associação ainda está em busca de empresas que queiram abraçar a causa.
Doações podem ser feitas através do Pix 23352130000199 e mais informações podem ser obtidas através do e-mail aapajad@gmail.com.
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